Falar de Educação
Falar de educação... tarefa difícil! Difícil, principalmente, por se tratar de um lugar tão sério, tão repleto de palavras especialistas, de lugares marcados pela seriedade docente e pela missão de salvamento da pátria. Trabalho árduo esse! Mas, aqui, nesta coluna, quero tratar de uma educação mais leve, mais próxima da sensação de parceria e, por assim dizer, mais poética, mais estética, como são os momentos ao lado de crianças a crescer!
Mais leve seria a educação que provoca sensações, experiências, contatos... formas de agregarmos o outro nas nossas vidas.... Formas de coexistência com as pessoas que pensam coisas diferentes das de nós, que acreditam em coisas que não são aquelas que nós cremos. Educação como coexistência!
Imaginem um lugar onde a infância pudesse habitar e ser habitada pelo mundo... pudesse ser a sua criadora e a criação. Um lugar onde as coisas ganham sentido pela mágica da existência! Um lugar repleto de olhares, formas, gestos, cores, sentires, texturas, jogos, abraços... afeto! Bem, é esse lugar que nós Colégio dos Arcos, pretendemos ser!
Quero e desejo que todas as crianças possam habitar neste lugar. Por isso, estas palavras pretendem ser um convite às mães, pais e a todas as pessoas que tenham um desejo como o meu....
Escolher uma escola é aceitar um convite para habitar e ser habitado por diversas sensações, descobertas, frustrações, conquistas e desafios... ao longo de toda e vasta “escolarização”. Escolher uma escola não é fácil, e nem poderia ser!
Falemos da entrada, a primeira entrada da criança na Escola.
A escola deveria ser um universo imenso e aberto a cada criança! Na escola, a criança entrará em contato com outras crianças. Esse contato é bem diferente das vivências que tiveram em reuniões de família, parques e afins. Bem diferente, porque as figuras que possibilitam e mediam as situações não são do universo individual da criança, e sim, coletivizadas por outras, além do espaço Escola ser um espaço onde a própria criança atribui e produz sentido!
Ao entrar em contacto com outras crianças, abre-se um vasto campo de comunicação. A criança terá de se envolver com a linguagem oral para comunicar com o mundo. Sem esquecer que os gestos e a sua expressão não podem ser deixados de lado neste percurso. Muitas vezes, quando a criança começa a falar, esquecemo-nos da expressão corporal, um recurso e uma forma de comunicação que foi utilizada até então. A criança entra num estado de encantamento com essa possibilidade e começa a procurar o outro e a entender o outro como seu par. É o que se espera da socialização, não é? Ligamos-nos com o outro para entender, decifrar e explorar o que está à nossa volta! Chama o outro, quer o outro, pergunta ao outro, sente o outro e coexiste no outro. Isto é a Socialização!
Também entrará em contacto com novas possibilidades de expressão que ampliarão a sua conexão com o mundo. Entenderá e explicará o mundo pela música, pela dança, pela brincadeira, pelo desenho, pela pintura! Uma criança que pode traduzir o mundo por meio desses recursos pode transformar as relações em poesia!
As crianças também experimentarão outra relação de referência, que é a que se estabelece com o professor. Aquela figura que media situações, que intervém quando preciso, que desafia e que afeta. Essa relação é fundamental neste crescimento, pois é um crescer junto, partilhado!
As famílias precisam entrar na escola, fazer perguntas, escutar e exigir uma postura dos educadores sem aqueles lugares comuns ou respostas prontas. Devem sentir segurança e afetividade na fala dos educadores.
Entrar na escola é algo que muda a vida de todos os envolvidos, que modifica os seres e estares das pessoas, mas é absolutamente transformador, em todos os sentidos imaginários! Ninguém deve sentir-se mal, culpado ou coisa parecida por fazer esta escolha. O mundo de hoje obriga-nos, muitas vezes, a anteciparmos algumas coisas, entre elas, a entrada dos filhos na escola.
Tudo o que acabei de escrever é possível, basta não nos esquecermos dos nossos quereres em relação à escola. É difícil? Sim, e muito, mas esse é o trabalho de quem educa, seja um pai, um professor ou uma mãe: persistir, insistir e resistir até ficar diferente!
Por tudo isto em que acreditamos, somos colo em cada dia que passa, pois o afeto será sempre a base de uma excelente aprendizagem.
Bem vindos a mais um ano lectivo :-)
Elisabete Ferreira
Diretora Pedagógica